Eu tenho um flerte com a tristeza. Ela está mais presente do que imagino. De repente, como um mal súbito, ela está lá, ao meu lado. Eu tenho aprendido a conviver com ela, penso que talvez ela seja constitutiva da vida humana, nascemos fadados a ser tristes. E isso não quer dizer que somente exista espaço para esse sentimento, mas isso é conversa para outro momento. Dando nome a essa tristeza, posso citar duas bifurcações que me levam inevitavelmente a ela: nostalgia e desigualdades. Sobre a primeira, me dói pensar que certos momentos da minha vida nunca mais serão revividos. Talvez essa dor se deva ao fato de que aí está entranhada a fugacidade da vida, é a finitude estampada em meus olhos, e isso me incomoda, por mais que eu não goste de admitir. A segunda bifurcação se desvela quando me deparo com as desigualdades da vida. Sem rodeios, eu sei do meu lugar de privilégio social e existencial. Nasci sem nenhuma deficiência aparente ou relevante, sou branco, sou homem, tive condiçõe...